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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Depoimento : Fátima - Módulo II

A Leitura e Eu
Relembrar o início da minha vida como leitora me fez voltar a uma época muito feliz e me fez lembrar de como eu gostava de colecionar livros, mesmo que fossem usados, não me importava. Inclusive ainda coleciono livros, tenho vários didáticos e que quase não uso,  acho que é mania de professor...
Mas voltando ao início, lembrei-me de que minha avó comprou uma coleção de livros de contos de fadas que tinha na capa um desenho que mudava conforme se movimentava o livro, que coisa mais linda! Pena que quando mudei para São Paulo me desfiz deles. Me deu tanta saudade que tenho vontade de chorar.
Bom, continuando, sempre fui aluna dedicada e assimilava bem o que lia. Naquele tempo tínhamos que ler um livro por bimestre e ele era comprado pela família, hoje sei que isto era difícil para eles, mas nunca fiquei sem. Muitas vezes lia o livro por obrigação, pois não era exatamente o que gostava. Não gosto de repetir isto com meus alunos apesar de solicitar leituras clássicas, tento fazê-los entender a importância cultural deste texto e peço para que identifiquem detalhes que permitam ligá-lo ao momento em que vivem.
Lembro que os que mais gostava eram os do romantismo brasileiro, achava lindo aqueles amores impossíveis e aquelas situações sofredoras. Hoje já não gosto tanto assim, prefiro o realismo e o modernismo. Estou mais crítica e exigente, prefiro textos que me estimulem a inteligência e a perspicácia. Jorge Amado é um dos meus preferidos. Admiro sua capacidade lúcida de descrever o povo brasileiro e suas características.
Mas um livro que me marcou demais, li há mais ou menos 10 anos atrás, O Diário de Dorian Gray, de Oscar Wilde, mudou minha vida e minha maneira de enxergar os outros. A capacidade do personagem em manipular as pessoas para que fizessem tudo que ele queria e a beleza espiritual com que se apresentava às pessoas me impressionou. Fez-me rever conceitos em relação ao ser humano e sua capacidade de dissimular verdadeiras intenções e até que ponto suas palavras representam seus sentimentos. Hoje observo bem as pessoas como um todo e, infelizmente, muitas vezes percebo que elas falam o que não pensam.
Sempre recomendo esta leitura, pois é uma obra que retrata o ser realmente na sua mais cruel essência.
Outra coisa que é muito interessante quando lemos um texto é o momento que estamos vivendo, ele interfere na sua leitura de forma significativa e pode nos fazer amá-lo ou odiá-lo.  Quando somos adolescentes adoramos revistas teens, depois casamos e damos lugar à leitura de revistas de decoração e construção. Mas nunca gostei das de fofoca. Acho perda de tempo, apesar de sempre dizer aos alunos: leiam até mesmo sobre a vida alheia.
O importante é ter contato com as palavras e deixá-las fazer parte de sua vida de forma cotidiana, jornais, revistas de quadrinhos, charges, anúncios publicitários, panfleto de supermercado, sites da internet, gosto de tudo, tento sempre estar informada e atualizada, não gosto de me sentir aquém do mundo, preciso sempre ler algo e, ao escrever este texto, tive consciência de que passo grande parte de meus dias lendo, e isto é maravilhoso!

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